Produção industrial brasileira registra pior setembro em 3 anos

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A produção industrial brasileira caiu 1,8% em setembro frente ao mês anterior, segundo divulgou nesta quinta-feira (1) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pressionada pela queda de bens de consumo duráveis e pela menor produção de automóveis.

Trata-se da terceira queda mensal seguida do setor. De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa, foi também a queda mais acentuada para um mês de setembro, na comparação com o mês imediatamente anterior, desde 2015, quando foi de 2,2%.

Na comparação com setembro do ano passado, a indústria caiu 2%, primeiro resultado negativo nesta base comparação, após três altas consecutivas.

O resultado veio pior do que o esperado. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de queda de 0,8% na variação mensal e de 0,4% na base anual.

Apesar da 3ª queda consecutiva, a indústria registrou avanço de 2,7% no 3º trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Segundo o IBGE, esta alta compensou o recuo de 2,7% do 2º trimestre, que foi impulsionada pelas perdas significativas do mês de maio, quando a produção industrial caiu 10,9% em função dos efeitos da greve dos caminhoneiros. Já na comparação com o 3º trimestre do ano passado, houve alta de 1,2%.

Perda de ritmo no ano

No acumulado no ano e em 12 meses, a produção continua registrando alta, de 1,9% e de 2,7% respectivamente. Entretanto, houve perda de ritmo frente aos meses anteriores. Em julho, a taxa acumulada em 12 meses era de 3,3%, e em agosto, de 3,1%.

“Fica muito clara uma perda de ritmo dessa produção. Desde 2015 a gente não via três meses seguidos de queda na margem”, destacou André Macedo.

O IBGE revisou os dados da indústria dos últimos meses. Em agosto, a queda foi de 0,7%, ao invés do recuo de 0,3% anunciada anteriormente. Já o resultado de julho foi revisado para uma queda de 0,2%, ante recuo de 0,1% estimado inicialmente.

16 dos 26 ramos industriais recuam

Dos 26 ramos de atividade, 16 recuaram em setembro. Segundo Macedo, o principal impacto negativo partiu do segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias (-5,1%), seguido de máquinas e equipamentos (-10,3%) e bebidas (-9,6%). “São resultados muito próximos em termos de influência”, ponderou.

A queda na produção de veículos, segundo o pesquisador, pode estar relacionada à férias coletivas no período e redução da jornada de trabalho em função da queda nas exportações “dado que a gente perde um canal importante de exportação por causa da crise na Argentina”.

Entre as grandes categorias, a queda mais acentuada na comparação com agosto foi em bens de consumo duráveis (-5,5%), influenciada, em grande parte, pela menor produção de automóveis. Também houve recuo na aprodução de bens de capital (-1,3%), bens intermediários (-1,0%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-0,7%).

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